Foi com um sorriso que dá gosto de ver que dona Márcia Lima, de 63 anos, comemorou a novidade no cartão-postal do tradicional bairro Carlos Prates: “Os jardins da praça São Francisco das Chagas serão revitalizados”. O local será cuidado pelo instituto Zilda Piccinini, instituição sem fins lucrativos voltada à população de baixa renda, por meio do programa Adote o Verde, da prefeitura de Belo Horizonte.

foto: Paulo Henrique Lobato

Há anos, a praça pena com o abandono da grama. Da mesma forma, as diferentes espécies de árvores e flores aguardam por cuidados. Daqui a algumas semanas, contudo, a paisagem será outra. Três dias na semana, um jardineiro estará no local para garantir a irrigação e adubação corretas.

Mas a comunidade deve ajudar a cuidar do patrimônio público, como desejou Maria Helena, presidente do instituto: “Contamos com o apoio da comunidade”. Ela é esposa do deputado estadual Coronel Piccinini, fundador do instituto e batizado em homenagem à memória da mãe do parlamentar.

foto: Paulo Henrique Lobato

“A ideia de adotar a praça surgiu num encontro com moradores. Assumimos o compromisso”, discursou o deputado. O convênio foi assinado no salão paroquial da São Francisco das Chagas. O casal foi recebido pelo frei Adilson, liderança religiosa do bairro, e dezenas de moradores.

O comerciante José Lúcio Bonani estava lá. E se recordou da época em que participava das quermesses no cartão-postal. “Era na década de 1980. Deixou saudades. Nossa expectativa é que a praça volte a ter manutenção adequada”.

 

Dona Márcia, a moradora que exibiu o maravilhoso sorriso, também enxergou o passado ao comentar sobre o cartão-postal do bairro. Ela nasceu em Fortaleza e se mudou para o Carlos Prates quando tinha apenas 3 anos de idade.

“Lá se vão seis décadas. Esta praça faz parte de minha infância, de minha adolescência… Os jardins eram lindos. Voltarão a ser. Me recordo que a gente se sentava na grama para ver filmes. Eram exibidos ao ar livre. Quanta saudade”, recorda Márcia, moradora da Vila Panicalli, cuja história já foi contada por este portal (clique aqui).

A praça também embalou muitos namoros numa época em que uma construção em frente ao cartão-postal atraia uma multidão, sobretudo, aos fins de semana. Trata-se do cine Azteca, inaugurado em 1950 e que funcionava no número 120 da rua Padre Eustáquio. A capacidade era para um público de 758 pessoas.

“Além dos filmes exibidos na praça, havia os clássicos nas telas do Azteca”, conta dona Márcia. Um dos romances que mais deixou saudades nos antigos moradores foi o italiano Dio, come ti amo, dirigido, em 1966, por Miguel Iglesias e estrelado por Gigliola Cinquetti. A história do Azteca e dos outros cinemas que funcionaram na Padre Eustáquio (São Carlos e Progresso) foi tema de reportagem deste portal (clique aqui).

QUEM FOI ZILDA PICCININI?
Zilda Piccinini. Foto: divulgaçãoDona Zilda seguia uma das principais frases da cartilha de quem vive a caridade sem esperar nada em troca: “fazer o bem sem olhar a quem”.

Nasceu em 1919, na pacata Matias Barbosa, na Zona da Mata, e foi chamada para o céu, em março de 2012, aos 93 anos de idade. Foi casada com seu Geraldo, que ganhou a vida como mascate.

PROGRAMA ADOTE O VERDE

Qualquer pessoa, empresa ou instituição pode participar do programa, que hoje ajuda na manutenção de aproximadamente 300 espaços verdes na capital. Segundo a prefeitura, os convênios são muito simples e, basicamente , delimitam as responsabilidades do adotante e da administração.

“Ao adotante, cabe manter as áreas verdes bem limpas e cuidadas. À prefeitura, o desenvolvimento do projeto de implantação ou reforma, o pagamento de contas de água e luz, apoio técnico e permissão para colocação de placa no local adotado, divulgando a parceria”.

Quem desejar participar basta procurar a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (3246-0541 / adoteoverde@pbh.gov.br) ou a Regional à qual pertence a área pretendida.

 

 



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