Eu perco o sono e choro, sei que quase desespero, mas não sei o porquê (por Bruno Mendes ) –

Procurar um processo terapêutico, seja de orientação psicanalítica ou não, não se trata de tarefa fácil. Depois de repetir as mesmas tentativas esperando resultados diferentes, exaustos(as) por não obterem resultados diferentes com as mesmas tentativas, pessoas as vezes buscam apoio em pessoas com as quais não terão as famosas conversas de botequim, onde passar a mão na cabeça, se emocionar junto e acreditar em soluções fantasticamente fáceis para não terem que encarar a dificuldade de se deparar com imprevistos roubam a cena e não deixam que cada um protagonize sua história.

Bruno Mendes, psicólogo e psicanalista. Contato: 99479-9198

Deparar-se com ambiguidades, com incongruências, com desejos proibidos, com as palavras que surgem no lugar errado, com as lembranças que colorem situações tão cinzas, e com esquecimentos que nos roubam as palavras e os pensamentos, requer muita coragem e disposição. Entre ser diversão para alguns, que só fazem disso seu viver por só saberem fazer isso (os psicanalistas), e sessão de cinema para outros, que se enamoram dessa ventura de se apropriarem de seus roteiros e direções (os(as) analisandos(as)), a função da análise é aproximar as pessoas dos impossíveis de serem tolerados em suas vidas. É, mais que buscar os por quês, como no título do texto, mais do que buscar os “como”, pra se aventurarem na estrada de onde vem tudo isso… se trata muito mais de se aventurarem pela estrada onde vai dar tudo isso. Por onde você deseja
caminhar?

É por aí? Eu não sei! Me diga!

Inauguramos silêncios que na presença de outros dizia o que fazer… inauguramos rompimentos que na ausência de outros fazia enlouquecer… inauguramos vínculos e respeitos que sob a batuta de outros não fazia a banda tocar conforme a inspiração…

Inauguramos, não raro, o que inspira à ação. E o sono perdido, o choro escondido, deixam de fazer sentido, ou inventam sentidos que possibilitem não mais precisar se esconder, não mais temer dormir, pra não ter acesso aos sonhos, ou se descobrir com frio diante da nudez implacável da falta de sentidos.

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É, muitas vezes um processo de desenvolvimento pessoal passa por aceitar que as coisas não têm tanto sentido quanto tentam nos vender através dos anúncios que saltam em nossas telas, nos deixando sem saber o que queremos, o que não queremos, nos empurrando para escolhas que não são nossas, embora facilmente nos deixemos convencer de acordo com certas conveniências.

Quando nos permitimos questionar o porquê de não dormirmos, de silenciarmos nossos sofrimentos e desejos, nos deparamos com o quão óbvio é não cedermos tão facilmente a isto. Se entregamos nossos sofrimentos e desejos, nossas inquietações, nas mãos do ostracismo, é por lá que tudo isso vai ficar refletindo em nossas dores, sejam elas no corpo ou na alma, que nos lembrarão diariamente que resta algo a ser feito, que é necessário.

Enquanto tratarmos nossos medos e desejos como contingências (algo que pode ou não acontecer), nos deslocaremos mediados pelo medo e pela ausência que se faz presente, desses nossos desejos, dos quais tentamos recuar. Em vão. Implicar-se com seus desejos, se responsabilizando pelas consequências, no lugar do entreguismo aos qual somos domesticados a praticar, requer apostar… apostar em si, apostar em sim, apostar em não… apostar.

E após, estar… de algum jeito que só você mesmo poderá sentir e revelar… ou guardar para si.

Duvide da crença que sussura em seus ouvidos: “Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada”. Relute, como pessoa, como o Pessoa, e pegue emprestado a respota dele: “À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo”.

Acorde para os seus.



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