Padre Eustáquio,

    

A história de Madalena Longo

Um dia você já precisou de mim, de minha força, de meus braços, lembra-se? Faz tanto tempo… Você dava seus primeiro passinhos, mãos para o alto em minha direção, tendo certeza que era ali no abraço dos meus braços que encontraria apoio e perderia o medo de cair.

Hoje, folheando o álbum de fotografias, vejo você rindo, um passo aqui e outro ali. Sempre em minha direção. Eu era a sua certeza, a sua garantia. Depois você cresceu, mas eu continuava sendo o seu princípio. Vinha das minhas mãos a merendeira para a escola, o sorvete de chocolate, a roupa para cobri-lo. Andávamos de mãos dadas.
Eu mais uma vez a mulher poderosa a lhe mostrar caminhos e descobertas. Você sabia que podia contar comigo na hora de atravessar a rua, na piscina, no consultório do pediatra, do antibiótico de hora marcada. Você assistiu comigo a primeira seção de cinema.
Minhas mãos eram as suas, lembra-se? Eram para servi-lo, pentear os seus cabelos, encapar seus cadernos, carregá-lo no colo quando a chuva deixava poças d’água. Quando você dormia na frente da televisão eram meus os braços e minhas mãos para carregá-lo até a cama.
Todos os dias, várias horas por dia, eu dizia que você dava muito trabalho. Que era levado, que era um castigo acompanhar dever de casa e eu reclamava de não poder sair…
Andávamos sempre juntos. Eu carregando o velotrol, o balde, as duas boias de braço, a garrafinha de suco, o saco de biscoito. Você com as mãos livres.
Às vezes eu levando os chinelos, às vezes você pedindo colo, pulando na minha frente fazendo palhaçada. Bons tempos, meu filho Jonas (Bananinha)!
Como consegui ser tão forte? Acabei passando a impressão de ser supermãe. Ah, sim. Eu não tinha medo de trovão, piscina cheia, sabia a tabuada de cor, tomava injeção sem sentir dor, trabalhava, cozinhava, lavava, limpava, fazia sobremesa.
Depois você descobriu que tenho medo de barata, pavor de dentista e vontade de chorar. Eu fico pensando, quando nossas mãos se separam pela primeira vez? Quando foi mesmo que você passou a andar na frente ou atrás?
Nunca mais ao meu lado! Que dia da semana foi aquele que você recusou meu convite para irmos juntos a um restaurante comer pizza com guaraná? Como você mesmo disse: “Ah, mãe, vou com meus amigos, com você não tem graça”. Eu nem sabia que tinha perdido a graça, ainda me achava tão sensacional…
Hoje, meu filho, você cresceu. Tanto que eu não preciso e não posso mais carregá-lo. Também não acerto mais a marca de seu tênis, o modelo da camisa, o tipo de amigo, o filme do ano. Não dou mais uma dentro. Sou apenas uma mãe que implica com som alto, copos sujos na cozinha, roupa amarrotada.
Estou aprendendo, enfim, o que significa ter filho para o mundo. Um dia nossas mãos se encontrarão de novo, mas dessa vez eu contando com sua força para guiar meus passos e tropeços.
O tempo passou. Você cresceu. Virou um rapaz bonito e cheio de saúde. Você me avisou que ia sair com a moça que você conheceu há 15 dias para lanchar. Voltou para casa com ela, foi para a cozinha preparar um jantar para mim e a sua nova namorada. Eu não sabia que era uma despedida.
O interfone tocou você achou que era um amigo. Ele pediu para você descer e partir daí nunca mais eu vi você. Tiraram você de mim desde deste dia, 10 de novembro de 2017. Desde então estou correndo a sua procura. E eu pergunto a Deus: onde você está? Queria tanto estar com você no dia das mães…
Eu sei que se criam os filhos para o mundo, mas não para ser sequestrado e com um fim que não sabemos o que levou.
Feliz Dia das Mães com seus filhos ao lado!!!


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